O Juiz Federal e Professor William
Douglas comentou sobre a possível fraude no concurso para o cargo de
Analista-Tributário da Receita Federal. Confira:
É profundamente frustrante, ainda mais quando se trata de instituição
respeitadíssima, tomar conhecimento de que ao menos quatro pessoas conseguiram
o gabarito da prova para analista da Receita Federal. Tais fraudes ofendem quem
se sacrifica e estuda, quem precisa dos serviços públicos e toda a sociedade.
Claro que esses problemas só ocorrem porque já acabamos com o compadrio e
indicações políticas, salvo nas funções comissionadas. Prefiro enfrentar esses
problemas do que termos um país sem concursos. Em paralelo aos fatos, fico
feliz pelo trabalho da inteligência da Receita, que conseguiu descobrir os
quatro vermes (palavra forte, mas qual o nome que se dá a quem se alimenta não
do próprio trabalho ou estudo, mas do sangue dos outros?). Espero que a investigação
não pare neles e que a punição seja para lá de exemplar. Não podemos ficar
acomodados em pegar só esses quatro meliantes.
O fato é que, se já não bastasse a frustração de todos, há que se dar
uma solução adequada ao seriíssimo problema. Alguns advogam manter o concurso
para evitar prejuízo a terceiros de boa-fé, ou por razões de economia etc., ao
passo que outros, como eu, entendem que o concurso deva ser anulado.
Eventualmente, como ocorreu em ENEM recente, onde a fraude se circunscreveu a
um único colégio onde os professores (vergonha dupla, partir isso deles)
passaram os gabaritos para os alunos no afã de ter bons resultados e, ao invés
de educar, deseducando. Mas este não é o caso do concurso da receita em
questão: quando não se sabe a extensão da fraude, por mais doloroso que seja, e
por maiores que sejam os custos, não existe custo maior do que permitir que
bandidos e vagabundos, os corruptos, assumam cargos públicos. O dano é
imensurável, inaceitável e não há espaço para negociação com os princípios da
legalidade, moralidade e tantos outros afetados.
Se alguém já entra pela via da corrupção, seja ela a do dinheiro ou a
do vazamento de informações, tal pessoa é um corrupto pronto, que usará todo o
poder público que tiver para fazer o mal, desviar, extorquir e fazer tudo o
mais do que nós, brasileiros, estamos fartos. Um servidor corrupto é mais um
mensaleiro que teremos que aturar. Não dá para contemporizar com isso.
É preciso que a instituição que realiza o concurso reveja todo o seu
sistema de segurança para evitar que a tragédia moral se repita, que se
identifique a quadrilha e, mais que tudo, que não corramos o risco de darmos
posse a outros pilantras. O momento do país é de limpeza, não de
pusilanimidade.
Quem está estudando sofre com isso tudo, mas a nova prova irá dar a
oportunidade de não ser roubado, fraudado, iludido pela justa expectativa de
seriedade nos certames e, até mesmo, consolo pouco mas a ser registrado, mais
tempo para estudar. A anulação irá dar exemplo e notícia de que não haverá
tolerância diante desse tipo de crime, e a oportunidade para que a instituição
que realiza o concurso mostre mais eficiência, outro princípio da República.
À inteligência da Receita, à Polícia e ao Ministério Público, meus
votos de sucesso na persecução. Aos meus colegas juízes, a minha expectativa –
como cidadão – de rigor com quem mancha o nome do serviço público e afeta nossa
credibilidade como país. Aos que estudam, o consolo de que está havendo
fiscalização, a qual, embora não tenha evitado a fraude, ao menos a descobriu.
A quem decide se anula ou não esse certame, a esperança de que decida pelo
caminho mais doloroso, mas o único que enfrenta essa infecção com a dureza
necessária. E, ainda a quem estuda, mais dois pedidos: primeiro, não desistam, mantenham
a certeza – que eu compartilho de que nenhuma fraude impede a posse de quem
está realmente preparado; e, segundo, meu desejo de que venha para o serviço
público com a “ira santa” de quem não vai participar, nem aceitar, nem
tergiversar quando o assunto for combater a corrupção, em qualquer de suas
manifestações.
Vamos limpar a casa, custe o que custar.
Que dureza, eu não o fiz. Mas ter que fazer duas provas novamente é dureza. E por isso, se anularem, a pena para os culpados deve ser muito maior, visto que vai provocar serios danos...
ResponderExcluirVergonhoso texto.
ResponderExcluirVai completamente contra a moralidade, na verdade.
Punam somente os culpados...afinal, eles sabem que a pena não vai além dos condenados?
Como irão punir somente os culpados? É impossível afirmar com certeza quem são os culpados. Prova que vaza pode ter sido acessada por qualquer um. Nos resta sentar e chorar!!!
ExcluirPerda de tempo é ficar comentando e agredindo alguém através daqui. Vão estudar, galera!
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