Enquanto o Instituto Nacional do
Seguro Social (INSS) se diz otimista quanto à autorização das 4.730 vagas pelo
Ministério do Planejamento, a Associação Nacional dos Servidores da Previdência
e da Seguridade Social (Anasps) não entende a demora do sinal verde, visto que
a autarquia luta contra a enorme carência de pessoal. A solicitação foi feita
em fevereiro deste ano e, desde abril, está no Departamento de Modelos
Organizacionais e Força de Trabalho dos Setores Social e de Desenvolvimento
Econômico Produtivo (Desep/Segep) do Planejamento. O questionamento aumentou
após a Secretaria de Gestão Pública divulgar portaria reconhecendo que o
Ministério da Previdência Social tem na sua estrutura 17.660 cargos vagos, além
de 491 cargos e funções de confiança em aberto.
Conforme consta no site da
Anasps, o vice-presidente, Paulo César Regis de Souza, acredita que a
quantidade de cargos vagos na Previdência é um desafio ao bom senso da
governança administrativa de pessoal, já que a situação do INSS, como advertiu
o Tribunal de Contas da União (TCU), em recente auditoria, é crítica, com mais
de 10 mil servidores, quase um terço da força de trabalho, recebendo abono de
permanência. De acordo com ele, só má fé explica porque não se fazem os
concursos para o INSS. O Ministério do Planejamento defende-se em relação a
esses números, afirmando que "os cargos relacionados como vagos não estão
disponíveis para preenchimento. Representam saldo da administração, passíveis
de análise sobre sua destinação quanto à extinção, transformação ou
aproveitamento."
Paulo César estranha essa
ressalva, e acredita que é mais uma das fraudes na gestão de pessoal, pois o
Planejamento que nega concurso é o mesmo que autoriza a contratação de
terceirizados, temporários, estagiários, consultores, pessoal sem concurso, não
estável e sem vínculo, aparelhando o setor público com pessoas sem compromisso
com as instituições. Das vagas solicitadas, 2 mil são de técnico do seguro
social, 1.150 de perito médico e 1.580 de analista do seguro social. O cargo de
técnico exige o nível médio e tem remuneração de R$4.400,87, o de perito médico
requer graduação em Medicina e inscrição no conselho regional da categoria com
rendimento de R$10.056,80 e o analista exige o nível superior e tem remuneração
de R$7.147,12.
Fonte: Folha Dirigida

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