Em entrevista à FOLHA DIRIGIDA, o
vice-presidente da Associação Nacional dos Servidores da Previdência e da
Seguridade Social (Anasps), Paulo César Régis de Souza, defendeu a realização
de concursos periódicos para o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Segundo ele, o órgão necessita de cerca de 13 mil servidores. “Nós precisamos,
no mínimo, de uns 3 mil analistas, cerca de 8 mil técnicos para poder suprir
não só aqueles que se aposentaram, mas as agências criadas, e aproximadamente 2
mil peritos médicos”, estimou.
O sindicalista criticou a morosidade com que o
Ministério do Planejamento tem agido quando o assunto é concurso para a
autarquia. “O ministro tem tentado novos profissionais, mas o Planejamento não
tem liberado, uma vez que acredita que as coisas estão funcionando normalmente,
pois o INSS ainda consegue pagar os benefícios em dia.”
Ele foi categórico ao afirmar que
as 300 vagas oferecidas no concurso de analista do INSS não serão o bastante
para suprir as necessidades da Previdência Social. “É um número irrisório, e o
próprio ministro (da Previdência Social, Garibaldi Alves Filho) sabe que para a
função de analista precisamos, no mínimo, de dez vezes mais esse quantitativo”,
frisou.
Paulo César Régis de Souza
denunciou que a falta de servidores tem prejudicado o funcionamento das
agências do Plano de Expansão da Rede de Atendimento (PEX) do INSS e se mostrou
preocupado com o grande números de profissionais aptos à aposentadoria. Segundo
ele, quase 50% dos 35 mil servidores do INSS se encontram nessa condição.
FOLHA DIRIGIDA - O INSS realiza concurso para analista do seguro
social, com oferta de 300 vagas. Esse quantitativo é o bastante para suprir o
déficit na carreira?
Paulo César Régis de Souza - Essas 300 vagas não suprem nem a
quantidade de servidores que se aposentaram, quanto mais a necessidade da
Previdência de profissionais para as novas agências, para os novos postos que
foram criados. Esse número, na verdade, não supre absolutamente nada. É um
número irrisório, e o próprio ministro (da Previdência Social, Garibaldi Alves
Filho) sabe que para a função de analista precisamos, no mínimo, de dez vezes
mais esse quantitativo.
Em virtude desse quadro, o senhor acredita que o INSS irá reivindicar a
convocação de mais analistas, além do número inicial de vagas?
Da última vez que eu conversei com o ministro, ele me disse que ‘não
daria entrevista sobre concurso público agora porque o governo estava em crise
financeira’, e automaticamente a primeira coisa que se faz quando isso acontece
é cortar o número de concursos. O INSS é um órgão que paga mais de 28 milhões
de pessoas em dia. Somos o maior distribuidor de renda do país, inclusive temos
municípios que dependem dos recursos da Previdência Social. Se o pagamento não
for feito em dia, o município não terá condições de sobrevivência. Para
fazermos o pagamento em dia precisamos de quê? De servidores trabalhando. Hoje
nós temos agência da Previdência Social com apenas um funcionário. Faltam
analistas, faltam técnicos, faltam, especialmente, peritos, porque qualquer
agência sem perito não funciona. Hoje se inaugura uma nova agência, mas como
não se tem concurso nem funcionário disponível para se colocar nessa unidade,
se remaneja um servidor de uma outra agência. Eles estão despindo um santo para
vestir o outro. Nós precisamos, no mínimo, de uns 3 mil analistas, cerca de 8
mil técnicos para poder suprir não só aqueles que se aposentaram, mas as
agências criadas, e aproximadamente 2 mil peritos médicos.
Qual é a força de trabalho atual do INSS?
Trinta e cinco mil profissionais.
Desses 35 mil, a Anasps estima em quanto o número de servidores próximo
da aposentadoria e de profissionais que ainda não se aposentaram porque recebem
o abono de permanência?
O servidor da Previdência recebe uma gratificação que se chama GDASS
(Gratificação de Desempenho de Atividade do Seguro Social). Isso é o que os
mantém no seu local de trabalho. Outros recebem o abono de permanência. Se a
partir de amanhã a gratificação for incorporada à aposentadoria, no dia
seguinte cerca de 15 mil pessoas irão se aposentar. Se hoje há uma carência de
cerca de 13 mil servidores, se esse pessoal se aposentar, a Previdência Social
teria que fechar.
Em que estados a carência de pessoal é mais acentuada?
O Brasil inteiro é carente de servidores. A carência é nacional. Isso
porque os concursos realizados apenas taparam buraco, não supriram nem 30% da
nossa necessidade. Mas é preciso dizer que o ministro tem buscado novas vagas.
Pelo menos, ele está tentando. Isso é verdadeiro. Não podemos negar.
No fim de 2011, início de 2012, o INSS realizou concurso para 1.875
vagas, sendo 1.500 mil para técnico do seguro social e 375 para perito médico
previdenciário. Até o momento, foram convocados cerca 3.500 técnicos e 500
peritos. Assim mesmo o INSS não conseguiu suprir as demandas?
Não é só isso. Esse profissionais poderiam até ajudar, se permanecessem
conosco. Esse é outro problema que enfrentamos. Por exemplo, se realiza um concurso
para analista, só que a maioria dos aprovados, mesmo após tomarem posse,
continuam prestando outros concursos, e aí, quando passam para outros órgãos,
mais atrativos do que o INSS em termos financeiros, deixam a Previdência. Cerca
de 50% das pessoas que entram, depois vão embora. Isso porque o salário é
pouco, e por conta das condições precárias de algumas unidades. Fica mais ou
menos assim: de um concurso com 5 mil vagas, cerca de 2 mil, 2.500 concursados
vão embora em pouco tempo.
O senhor acredita que do concurso de técnico do seguro social e de
perito médico ainda pode haver mais convocações?
Não vejo nenhum movimento do ministério para isso, não vejo. A gente
bate muito na tecla de que precisamos de mais servidores. Até porque a
Previdência Social não se aprende em nenhuma faculdade, em nenhuma escola. Se
aprende no dia a dia. Então, as pessoas que aqui estão há mais tempo ensinam as
mais novas. Se os concursos não forem sendo realizados, à medida que essas
pessoas forem indo embora sem terem a oportunidade de repassar a experiência
profissional aprendida ao longo de anos para os mais novos, o serviço prestado
pela Previdência vai sendo prejudicado.
Faltam cerca de seis meses para o término da validade do concurso de
técnico e perito. O senhor tem informação se o INSS já fez novo pedido de
concurso ao Ministério do Planejamento?
O ministro me disse que já iria pedir novamente. Aliás, eu até acredito
que, pelo tempo, já tenha feito o pedido, pois na última conversa que tivemos
ele me disse que faria a solicitação à presidente Dilma (Rousseff).
O déficit de pessoal tem prejudicado o funcionamento das agências do
Plano de Expansão da Rede de Atendimento (PEX)?
A falta de pessoal é um problema para o funcionamento dessas unidades.
Por conta disso, várias agências estão funcionamento precariamente. O Plano de
Expansão quer a interiorização da Previdência Social. Em tese, isso facilitaria
a vida do cidadão que não precisaria se deslocar grandes distâncias para ser
atendido. Só que com poucos servidores isso não funciona. Vou dar um exemplo:
se constrói uma agência num município do interior, mas aí não coloca um perito
lá. O que acontece? O segurado continua tendo que se deslocar até os grandes
centros para fazer a perícia médica. O ministro tem tentado novos
profissionais, mas o Planejamento não tem liberado, uma vez que acredita que as
coisas estejam funcionando normalmente, pois o INSS ainda consegue pagar os
benefícios em dia.
Fonte: Folha Dirigida

e por que não chamam os 2.500 aprovados que ainda não foram nomeados neste último concurso do INSS?? o negócio é entrar com um mandado de segurança!!
ResponderExcluirDeus há de iluminá-los para que convoquem todos os aprovados para Técnico! Estou na 4ª colocação e já foram chamados 3 para a minha APS.
ResponderExcluirDeus há de iluminar para que ocorra a nomeação de todos os aprovados para Técnico! Estou na 4ª colocação e já foram chamado 3 para a minha APS.
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