Saudações, galera do EuVouPassar!
Meu nome é Alex Gonçalves, tenho 28 anos, sou natural de Anápolis-GO, mas Feira
de Santana (BA) foi minha morada durante a maior parte da vida. É com alegria
que compartilho com vocês a experiência como concurseiro e – o melhor de tudo –
minha aprovação para o cargo de Técnico Judiciário do TRE-SC.
Conto, então, como tudo começou…
O ano era 2009 e eu estava na
metade do curso de Biologia, mas não muito motivado nem esperançoso
(financeiramente, claro) com o meu futuro como biólogo. A dúvida era: continuar
o curso e ver no que ia dar ou escolher outra coisa para fazer? Muitos dos
colegas formados ou estavam lecionando e ganhando menos que mil reais por mês
ou continuavam na faculdade recebendo algum tipo de bolsa. Mas eu precisava ir
além, precisava tomar uma decisão. E foi então que, em novembro daquele ano,
saiu o edital do TRE-BA. Confesso que eu não sabia nada sobre concurso público,
li e reli o conteúdo das disciplinas, mas só conseguia entender a parte de
Português. Mesmo assim, decidi me inscrever. Estudei o que consegui baixar na
internet e fui pra prova. Claro, não cheguei nem perto dos classificados, mas
acabei gostando da brincadeira. Cada lei ou artigos da Constituição
desvendados, era motivo pra querer saber sempre mais e mais. Outros editais
surgiram: CAIXA, ABIN, MPU…
O que tocava eu estava dançando.
As matérias ficaram menos difíceis de entender, os macetes das provas foram
sendo revelados, conheci outros concurseiros e alguns aprovados, ou seja, o
mundo dos concursos públicos estava se abrindo pra valer… mas eu ainda
precisava de uma estratégia. E atire a primeira pedra quem nunca pesquisou no
YouTube: “como passar em concursos públicos?”. E foi numa dessas pesquisas que
ouvi um famoso professor dizendo: “concurso não se faz pra passar, se faz até
passar”. Não adiantaria eu buscar algo imediato, querer passar no próximo
concurso que abrisse, seja qual fosse. Eu precisaria de uma direção a seguir.
Foi então que voltei às origens e decidi mirar nas provas dos Tribunais
Eleitorais.
Agora a brincadeira começou a
ficar séria. Aluguei uma dessas kitinetes pra poder estudar tranquilo,
abandonei a faculdade, reduzi ao máximo a carga horária no lugar onde eu
trabalhava (mas ainda dava pra pagar a kitinete e as passagens pros concursos
rsrsrs) e mergulhei nos estudos. Não sou muito de ler apostilas ou livros, já
basta decorar as leis secas, então estudava basicamente através das video-aulas
do EVP. Já me peguei estudando 10 (isso mesmo, dez!) horas por dia. Cansado?
Sim, claro, mas quem consegue dormir com o professor Marcelo Bernardo gritando
no ouvido “acorda morgação!!”?? (risos). Fiz um roteiro de estudo, colei
lembretes e “bizus” por todas as paredes, quase não assistia à televisão (salvo
jornais e jogos do Palmeiras), até o programa “A voz do Brasil” passei a ouvir.
E nesse ritmo, com a ajuda e a paciência dos amigos e da família, a jornada
começou… Em março de 2011 fiz o concurso pra Técnico do TRE-PA e, mesmo tendo
perdido o voo em Salvador, por causa de um apagão e da incompetência da companhia
aérea; ter dormido no chão do aeroporto; ter voltado pra minha cidade no dia
seguinte, com a cabeça rodando; ter passado 2 dias decidindo se gastaria mais
de mil reais pra comprar uma outra passagem, em cima da hora; consegui viajar
de novo, dormi no aeroporto (de novo) em Belém, fiz a prova no outro dia pela
manhã e fiquei em 45º lugar.
Como? Depois de tanto estresse
que passei, até hoje não sei. Após o desempate e a lentidão das vacâncias, a
nomeação ficava cada vez mais distante. 5 meses depois saiu o edital do TRE-SC:
banca examinadora desconhecida, o último concurso havia sido anulado, passagens
caras, tudo conspirando negativamente, mas eu sabia que minha hora estava
chegando e decidi fazer a prova. A rotina de estudo era a mesma, a única coisa
que mudou foi o papel de parede do meu computador, que passou a estampar a foto
de belas loiras na Oktoberfest (todos precisam de um incentivo, afinal!). 30 de
outubro, o dia da prova chegou. Quase perco o horário de entrada no local da
prova porque o motorista do táxi não sabia dirigir fora da ilha de
Florianópolis. Cheguei no limite, não tive tempo pra almoçar e nem pra comprar
uma garrafinha de água. Uma amiga que estava comigo, Aline, coitada, quase
desmaiou.
Não sou muito de acreditar nessa
história de “maktub” não, mas se mal não faz, né? Então deixa. Resultado: 21º
lugar, empatado com mais 4 pessoas. Após os benditos critérios de desempate,
fiquei em 25º. Foram 10 vagas de imediato e outras foram surgindo. Enquanto
esperava a provável nomeação, fiz as provas do TRE-PE, TRE-SP e TRE-RJ, mas com
a cabeça pensando nas loiras, digo, no TRE-SC, ficava difícil conseguir bons
resultados. A espera foi longa… Voltei pra casa da mamãe, passei em um concurso
temporário na Bahia e, em maio do ano passado, após 1 ano e meio de espera, eis
que recebo a ligação do Tribunal me avisando sobre a nomeação. Lembro que eu
estava no trabalho (em um posto de atendimento da Secretaria de Administração
da Bahia, onde os cidadãos requerem RG, CTPS, CNH, e outros tantos documentos),
coletando as impressões digitais de um requerente quando o celular tocou… Pedi
licença pra pessoa, retirei as luvas, chutei o balde (literalmente) de lixo,
sem querer, é claro, e pedi exoneração no mesmo dia. Apesar de estar
acompanhando a lista e saber que o meu nome seria o próximo, a sensação de
saber que a nomeação sairia é indescritível.
Conferi meu nome do Diário
Oficial, ajeitei tudo na Bahia e fui pra Florianópolis pra assinar a papelada.
Claro, teve até foto da sede do Tribunal pra colocar no Facebook. Tudo
resolvido, posse tomada, hora de entrar em exercício, então parti pro extremo
oeste catarinense, em Itapiranga (quem diria? berço da Oktoberfest!), onde
estou lotado neste momento. Em uma outra oportunidade conto como é a vida por
aqui, mas posso dizer que trabalhar na Justiça Eleitoral, pelo menos aqui, é
tudo muito tranquilo. Se você quer tempo pra estudar pra outros concursos, esse
é o lugar certo.
Pra finalizar, digo que não há
uma “receita de bolo” pra passar em concurso, cada um tem seu ritmo, suas
limitações, mas algumas dicas sempre são bem vindas: 1- transforme seus estudos
em prioridade, esqueça aquela balada que você nunca perde aos sábados, muitas
outras virão depois da nomeação; 2- estabeleça um foco, não adianta fazer a
prova pra escriturário do BB se você está estudando pra ser policial; 3- crie
uma motivação (pode ser uma foto de família, uma cópia de contracheque do seu
amigo servidor ou um papel de parede como o meu) e olhe todos os dias que for
estudar, porque vai chegar uma hora em que você vai pensar em desistir; 4- seja
paciente, uma prova de cada vez, lembra da frase? “Concurso não se faz pra
passar, se faz até passar”; e 5- tenha persistência, não pare de estudar, o
tempo vai passar de qualquer forma, então é melhor que ele passe com você
estudando. Então, galerinha massa, é isso, “Vida de concurseiro não é fácil”,
já dizia o poeta, mas se fosse não teria graça.
Eu já passei! E você? Agradecimento imenso a toda equipe do
EuVouPassar, sucesso a todos e um forte abraço!


Q legal...ri muito com seu 'jeito de ser'...Parabéns e obrigada por compartilhar conosco! Sucesso!!!!
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